<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33562531</id><updated>2011-11-25T06:26:13.494-08:00</updated><title type='text'>Palimpnóia Entrevista</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palimpnoiaentrevistas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562531/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palimpnoiaentrevistas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Euza Noronha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/-sMhlICK8E6M/Ts-lfK8hFbI/AAAAAAAAAXo/_ZykPEgS78A/s220/perfil3.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33562531.post-116203695730589113</id><published>2006-10-28T04:58:00.000-07:00</published><updated>2006-10-28T07:23:31.586-07:00</updated><title type='text'>Dora Vilela</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;por Euza Noronha&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Auxiliadora Figueiredo Vilela Santos é graduada em Letras, com especialidade em Francês. É pós-graduada em Literatura. Lecionou Francês e Português, em colégios, por vários anos, e se afastou por motivos familiares. Atualmente trabalha como tradutora de Francês. Freqüenta curso de Pintura e Desenho. Gosta de todas as artes, sobretudo de Literatura.&lt;br /&gt;Nas horas vagas, dedica-se à Academia de Ginástica, à leitura e à pintura de telas.&lt;br /&gt;Apresenta textos variados, principalmente poemas, no blog &lt;a href="http://pretensoscoloquios.zip.net/"&gt;“Pretensos Colóquios&lt;/a&gt;”.&lt;br /&gt;Reside em Guaratinguetá, São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como a literatura entrou em sua vida? Que caminhos ela percorreu até você se descobrir necessitando soltar as palavras?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a ler e escrever muito cedo. Quando eu tinha cinco anos, minha mãe me surpreendeu lendo o jornal e pensou que fosse brincadeira. Quando foi verificar, eu já lia fluentemente e escrevia até bilhetes. Talvez eu já lesse há mais tempo. Atribuo essa precocidade a um gosto inato e ao fato de meu pai ser bibliotecário. Eu passava muito tempo na biblioteca onde ele trabalhava e já me encantava com aquele mundo dos livros. Como leitora de literatura, iniciei-me na infância, portanto. Mas, comecei a escrever, levada pela intensa compulsão de criar um universo que fugisse à lógica da minha realidade existencial. Eu traduzo hoje esse meu impulso de escrever como uma vontade de mexer com as emoções, com as idéias, gerando conflitos onde elas possam se apresentar, se efetivar. Gosto de imaginar que coloco em cena uma variedade de situações que nunca existiriam se eu não as inventasse. Isso me seduz, me faz sentir viva e co-criadora do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sei que você é uma leitora voraz, tanto de prosa quanto de poesia. Segundo alguns críticos, a prosa brasileira está qualitativamente num nível abaixo da poesia. Você concorda com isso? Se na poesia temos um Drummond, quem na prosa estaria no mesmo nível dele?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Realmente, na poesia temos, ainda produzindo textos importantes, autores como Ferreira Gullar, Adélia Prado, Affonso Romano de Sant´Anna, Fabrício Carpinejar. Já são consagrados, pelo volume da obra e pela qualidade literária. Mas, na prosa há uma enorme diversidade de escritores do mesmo porte dos poetas, como João Ubaldo, Moacyr Scliar, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Luiz Vilela, Raduan Nassar, Raimundo Carrero e muitos mais, já levados em consideração como representantes, na prosa, da época que podemos designar por Contemporânea. Julgo que o distanciamento temporal vai ser necessário para julgá-los mais profundamente, apesar de que já soube que muitos críticos não consideram válida essa questão de “distanciamento”. Li numa entrevista de Flávio Carneiro, escritor e professor da Universidade do Estado do R. de Janeiro, que a prosa ficcional do início do século XXI está “se processando” ainda e há uma gama imensa de talentos que estão surgindo. Ele talvez não destaque nenhum escritor em especial. Eu também não saberia fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há um tempo atrás li um comentário seu onde dizia ter certa dificuldade com a chamada poesia alternativa. Fale um pouco disso.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro bem o que comentei, mas vejo a poesia alternativa como uma manifestação de rebeldia momentânea, como se fosse “datada”, solta, esparsa. Ela serve para o instante histórico ou o fenômeno social em curso. Wilson Martins diz “que a poesia só será literária se nos proporciona respostas possíveis nas perspectivas da eternidade”. E não se devem levar em conta modismos ou tendências, na avaliação da arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Segundo Glauco Mattoso a função da arte não é abrir os olhos do leitor: é fazê-los se arregalarem. Assim sendo, você considera que a literatura tem também o objetivo de contribuir para a tomada de consciência político-social do leitor? E você vê isso na literatura contemporânea?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Penso que a função da arte ultrapassa a frase de Glauco Mattoso. Não é apenas “fazer os olhos se arregalarem” com os acontecimentos sócio-políticos momentâneos, mas ela deve abranger uma visão mais ampla do papel do homem enquanto vivente de qualquer época ou lugar. A literatura, como arte, deve ter a medida do universal e do eterno, deve levar à perplexidade e ao desejo da busca dos elementos mais essenciais dos seres humanos. Vejo no próprio Glauco Mattoso essa intenção de conscientizar os leitores para os instantes atuais. Não leio autores em que vislumbro essas tentativas apenas. É preciso que a obra avance dessa fase para o alcance do universal. Usar o texto literário apenas para passar uma ideologia, qualquer que ela seja, diminui a riqueza dele, enquanto arte. Pode haver aí uma qualidade extra-literária, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parece que faz parte da literatura contemporânea um certo desapego à norma culta da língua portuguesa. Eu diria até que tanto escritores famosos como novos escritores tendem a não usá-la. O que você acha disto? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola, aprendemos a língua padrão. È a língua materna, que, como toda língua, tem um conjunto ou uma estrutura própria que faz com que nos comuniquemos e nos entendamos. Essa língua se diferencia em língua culta ou coloquial, dependendo dos diversos locais ou situações em que a usamos. Mas, mesmo com essas diferenças, é sempre a língua padrão, aprendida e fixada nas normas gramaticais. Na escrita literária, a língua padrão se torna instrumento de comunicação dos estilos dos escritores, que podem manipulá-la, transformá-la, manuseá-la, partindo-se da suposição de que eles conhecem muito bem a língua padrão e culta. A partir do Modernismo é que essa liberdade de “mexer” nos cânones da língua se tornou evidente e atualmente os escritores se expressam concedendo mutações à própria sintaxe e à semântica da língua, sem causar a estranheza inicial “pós-modernista”.&lt;br /&gt;Sinto que essa liberdade, a serviço da inventividade, é sempre bem-vinda, mas há exageros, experimentações e malabarismo lingüísticos que não me agradam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Falando agora sobre sua produção: todos sabemos que sua produção literária é intensa e contínua. O que determina esta alta produtividade? Mais inspiração ou mais construção?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Penso que geralmente os apreciadores de literatura também costumam gostar de escrever. Leio e escrevo diariamente. Ferreira Gullar diz que cria seus poemas, a partir do “espanto”. Tenho uma postura parecida. A cada leitura que faço, me deparo com alguma coisa que me surpreende e me instiga. Então, essa surpresa, ou “espanto”, me força a refletir, na primeira fase. Em seguida, preciso expressar urgentemente o resultado dessa reflexão, em palavras escritas. E mesmo no cotidiano, minha atenção é sempre voltada para os fenômenos mais insignificantes que me provocam “sustos” e necessitam ser “escriturados”. Inspiro-me com facilidade. E escrevo quase instintivamente. Depois, faço o trabalho mais técnico, apurando o texto. Muitas vezes, escrevo muito e deixo guardado, para, mais tarde, reler, revisar, burilar. E penso, como Drummond, que não é possível se fazer poema “por encomenda”. Ou existe o relâmpago da inspiração ou o texto não sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Particularmente, considero a internet o melhor meio de democratização da literatura. Entretanto, sabemos existir uma certa resistência a ela por parte de alguns literatos. Na sua opinião, a Internet favorece ou avilta a arte da escrita? E quanto à difusão e hábito da leitura, acha que ela contribui favoravelmente?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que se alguém faz realmente literatura, que é arte, não importam os canais por onde ela transita. Há escritores, com livros publicados, que expõem seus textos na Internet. Não entendo como seria possível esse fato aviltar a arte. Se trocassem uma moldura maravilhosa de um quadro de Matisse por outra de menos qualidade, o quadro continuaria a expressar a arte intrínseca da tela.&lt;br /&gt;Então, pelo contrário, acho que a arte_ falando da literatura_ deve ser expressa e difundida pela Internet, o que só iria contribuir para sua apreensão por um número maior de leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Essa pergunta é para a Dora Vilela, blogueira. Como você vê as relações de troca processadas neste espaço? De que forma elas acrescentam à sua produção e como poderiam acrescentar ainda mais?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprecio imensamente as trocas processadas na comunidade blogueira, através do sistema de comentários, onde se auferem as opiniões dos leitores. Pelos comentários, que procuro responder sempre, percebo uma variedade e uma diversidade de pontos de vista, que me estimulam a criação de novos textos. O fato de ler blogs com produções distintas das minhas, como os espaços voltados para as análises sociais, políticas, por exemplo, é um ganho sempre aprazível para mim. E os blogs de poesia, que muito me atraem, já que compartilham de perto da minha vocação maior, me acrescentam em todos os sentidos.&lt;br /&gt;Enfim, como já disse anteriormente, a Internet só me enriquece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Finalizando, apesar da qualidade e da quantidade dos seus escritos, você ainda não tem um livro publicado. Alguma razão para isso?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não acho que chegou o momento de publicar meus escritos em livro, pois julgo que eles ainda carecem de amadurecimento, já que os vejo como exercícios e treinos para alcançar minha expressão mais íntima e essencial. Contento-me em expô-los no espaço do blog, onde tento avaliar a repercussão deles nos leitores. Por isso, levo a sério minha atividade como blogueira. Ela faz parte desse amadurecimento literário que coloquei como objetivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comente :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na &lt;a href="http://www.palimpnoia.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Página Inicial&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; ou no &lt;a href="http://www.palimpnoiaforum.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Fórum&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33562531-116203695730589113?l=palimpnoiaentrevistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palimpnoiaentrevistas.blogspot.com/feeds/116203695730589113/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33562531&amp;postID=116203695730589113' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562531/posts/default/116203695730589113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562531/posts/default/116203695730589113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palimpnoiaentrevistas.blogspot.com/2006/10/dora-vilela.html' title='Dora Vilela'/><author><name>Euza Noronha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/-sMhlICK8E6M/Ts-lfK8hFbI/AAAAAAAAAXo/_ZykPEgS78A/s220/perfil3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33562531.post-115689640526868721</id><published>2006-08-29T17:06:00.000-07:00</published><updated>2006-10-15T08:12:35.643-07:00</updated><title type='text'>Francisco Dantas</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;por Euza Noronha&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Francisco de Assis Dantas é Professor Universitário, Doutor em Letras, já publicou inúmeros trabalhos sobre questões vernáculas e sobre aspectos estilísticos de obras literárias brasileiras. É autor de um ensaio A Frase Caótica (UFPB, 1991), em que estuda aspectos de estruturação do período em obras de Clarice Lispector, Autran Dourado, Antônio Callado e Cornélio Pena; e de Instantes Poéticos (Manufatura, 2006), seu primeiro livro de poemas. Adora música, literatura e cinema. Costuma apresentar poemas nos blogs: Uma janela para o mundo e Poesia Pura. Aposentado de compromissos acadêmicos, aproveita a vida escrevendo poemas, tocando seu teclado, lendo os autores de sua predileção e visitando os amigos blogueiros. Reside em João Pessoa-PB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que é poesia para você? E qual a função dela no mundo contemporâneo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a poesia é um meio especial de que o indivíduo dispõe para a expressão de sua subjetividade. Neste sentido, vale a pena evocar-se o poeta Mário Quintana ao referir-se à poesia como manifestação da emoção, provocadora do impulso poético e transfigurada pela arte. Nessa transfiguração, encontra-se a verdadeira caracterização da poesia, que vale pelo conteúdo, mas que se valoriza, prioritariamente, pela forma.&lt;br /&gt;Quanto à função da poesia no mundo contemporâneo, não se pode deixar de se reconhecer que nem o homem nem o mundo sobrevivem sem a poesia. A poesia, como a arte em geral, oferece ao mundo um meio de equilíbrio, de estabilidade, de valorização de sentimentos positivos, de busca de melhores anseios. O efeito terápico, catártico do exercício da composição poética faz parte da vivência humana, nas diversas etapas de vida. E se isto é bom para o indivíduo, é bom, então, para o mundo. Adélia Prado disse, certa vez, que se salvou pela poesia. Assim, acredito eu, o mundo também pode se salvar pela poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como você vê a poesia contemporânea brasileira? Que autores você citaria?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil falar-se sobre a poesia contemporânea brasileira, mesmo porque a produção da contemporaneidade está em processo, não tem sedimentação. Em termos de história e de estilo de época, tem razão Fábio Lucas ao afirmar que, na fase atual da poesia brasileira, “o que se nota é um aspecto mais fragmentário”. E conclui por dizer que “o panorama da poesia brasileira contemporânea assemelha-se a uma imensa constelação de estrelas solitárias, cada qual com o seu brilho e a sua trajetória”.&lt;br /&gt;Quanto a nomes, eu citaria, em suas diversas manifestações, Affonso Romano de Sant´Anna, Ferreira Gullar, Carlos Nejar, Adélia Prado, Marcos Accioly, o paraibano Sérgio de Castro Pinto, dentre muitos outros nomes firmados no cenário atual. Mas, ainda evocando Fábio Lucas, há dificuldade em se estabelecer qualquer classificação tendencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na sua visão, o que move alguém para o caminho da poesia? Existe algum ímã que atrai irresistivelmente? Ou seria um feitiço?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Roland Barthes, em Aula, “o homem é por si mesmo dramático, pois encena, cria, imagina e escapa do conceitual”. Talvez seja isto o que mova alguém para o caminho da poesia. Talvez esse ímã seja o impulso afetivo que leve o homem a querer expor o seu lirismo sob uma forma de linguagem revestida de aspectos estéticos valorizadores de sua expressão. Daí entender-se a razão de, sempre que aflora uma paixão, um sentimento muito forte, uma situação romântica, surgir o interesse em se expressar poeticamente. Também não é sem razão que predomina a poesia lírica. Isto, porém, não significa que a poesia deva existir como expressão de algo inconsciente, de pura inspiração, de fruto de um feitiço. A poesia deve materializar-se como uma forma resultante de elaboração, de escolhas, de burilamento, de soluções estilísticas pertinentes, de funcionalidade, de, enfim, trabalho. Ao contrário do que muitos pensam, o poeta trabalha a poesia. Em seu sentido etimológico, poesia significa criação, ação, fabricação, confecção, e tudo isso, redundantemente falando-se, implica trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um poeta já nasce poeta ou trabalha para sê-lo? E como seria este trabalho, além da constante leitura de poesia?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém nasce poeta. Mas creio que, na complexidade da máquina humana, o indivíduo pode vir à luz com, como se costuma dizer, um “pendor”, uma tendência para as artes e, particularmente, para a poesia. As circunstâncias vivenciais do indivíduo podem, então, acionar essa tendência à criatividade e favorecer o surgimento de um poeta. Mas o trabalho é importante, a leitura é importante, o domínio técnico é importante, a bagagem intelectual é importante. Enfim, é importante tudo aquilo que se some àquela tendência e faça com que o indivíduo possa progredir em sua expressão artística, em seu fazer literário, em seu fazer poético. A intuição pode ser importante, mas a expressão formal depende de fatores, de escolhas, de princípios que precisam ser descobertos, aprendidos e postos em prática conforme normas estabelecidas e, muitas vezes, até impostas pelo momento histórico, pela sociedade. E esse trabalho consiste, em se tratando de linguagem, no uso adequado de recursos lingüísticos pertinentes, eficientes, adequados ao que se pretende elaborar, uma vez que, na poesia, o prioritário está no enunciado, considerado, em sua estrutura material, como portador de um valor intrínseco, como sendo um fim. A genialidade não liberou as maiores expressões da arte universal da busca de melhores conhecimentos e de melhores técnicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como a poesia surgiu na sua vida?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus primeiros contatos com a poesia se deram, ainda na infância, como ouvinte de canções cantadas por minha mãe e por minhas irmãs. Gostava de ouvi-las cantar poemas musicados, como Meus oito anos de Casimiro de Abreu, Minha terra tem palmeiras de Gonçalves Dias, dentre outros. Havia também freqüentes contatos com os folhetos de cordel, muito fáceis de encontrar, de ler e de ouvi-los nas feiras do interior nordestino. Já como estudante, gostava de ler e reler uma famosa Crestomatia, que havia em casa, além da famosa Antologia Nacional de Carlos de Laet e Fausto Barreto. Nos anos de seminarista, nas séries mais avançadas, o estudo de poetas clássicos, portugueses, latinos e gregos, motivava o interesse pelo desconhecido. Como professor, a poesia já surge como objeto de estudo, de análise, de descoberta e de transmissão de técnicas observadas nos textos de autores brasileiros e portugueses. Como poeta, a poesia surgiu no anoitecer de um dia de maio de 1965, como estudante, em Fortaleza, quando fui invadido por um sentimento de nostalgia, ouvindo o barulho das correrias de um bando de crianças. Foi quando senti desejos de exprimir tal sentimento através de um poema, o primeiro (Vésperas), que está em meu livro Instantes Poéticos. Depois, vieram outros, em diversos momentos da vida; veio o primeiro livro; veio o contato com produções poéticas divulgadas na Internet. E a produção continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Agora, falemos da sua poética. Como você a descreve?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha poesia é de aparência simples porque estruturada numa linguagem simples. Disto resultou um livro, no dizer de Affonso Romano de Sant´Anna, “legível” dentro do cipoal da poesia contemporânea. Mas o simples não significa que seja ela despojada de elaboração, de aproveitamento de recursos estilísticos adequados à minha expressão. Sou pela correção gramatical; busco sempre uma marcação rítmica apropriada; evito o rebuscamento retórico e tudo o que não se apresente como funcionalmente justificável. Não sou dado a experimentações formais. Em outras palavras, procuro maneiras de criar e manter um diálogo com os possíveis leitores de meus poemas. Concordo com o Professor Adalberto dos Santos quando diz, em posfácio a meus Instantes Poéticos, que eu desejo o diálogo com o leitor, de forma natural, e não a frustração de uma conversa entre desentendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Partindo do princípio de que todo escritor sofre a angústia da influência, você tem clareza das influências que a sua poesia sofre?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sofro essa angústia, pois, sinceramente, não tenho clareza de influências sofridas por minha poesia. É claro que, situando-se em determinado momento histórico, com leituras, estudos, contatos com obras de importantes autores, o indivíduo dificilmente escapa de marcar seu estilo com traços, consciente ou inconscientemente, herdados de outrem. Ao mesmo tempo, é possível que, em decorrência do chamado “espírito da época”, de que falava Karl Vossler, se constatem convergências de idéias, de pontos de vista, de traços lingüísticos em autores situados em um mesmo contexto histórico. Mesmo entre teóricos, isto é possível, como no caso do já citado Karl Vossler e Leo Spitzer, ambos alemães, situados em uma mesma época, e teóricos de uma mesma corrente estilística. Pelas semelhanças, Leo Spitzer era considerados discípulo de Vossler, sem nunca o haver sido. Havia afinidades, mas, pela falta de contatos, de um com o outro, não seria conveniente falar-se em influência. Em meu modesto caso, é apontada uma influência explícita de Manuel Bandeira, além de referências a influências recebidas de Mário Quintana, e de outros. Fico contente, pois creio que isto só valoriza o que tenho feito. Antes que sofrer, alegro-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você é um poeta que mantém blog e uma relação de proximidade com seu leitor. Existe algum ganho, em termos de crescimento poético, nesta troca com o leitor? Que tipo de influência ele pode ter sobre a sua poética?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog favorece essa relação de proximidade com o leitor. E sempre existe algum ganho nessa interação, que deve influir no crescimento poético de alguém. Tudo depende de como se dá esse relacionamento e com quem ele se dá. Há pessoas que freqüentam o blog, que demonstram terem lido o seu texto com interesse, e tecem comentários de natureza crítica que podem despertar a atenção do autor para algo que possa ou deva ser melhorado, ou evitado. Se não fosse assim, não haveria quem, antes de publicar um livro de poemas, apresente-os ao crivo dos freqüentadores de seu blog. Além disso, pode-se perceber uma atitude de admiração, de seriedade e, sobretudo, de respeito, decorrente, com certeza, do reconhecimento da qualidade de seus textos. Do contrário, o poeta blogueiro se vê isolado, terminando por encostar o espaço, por cancelar o blog , e por sair dizendo por aí que blog é coisa fútil, espaço de bajuladores. É claro que há muitos espaços mal aproveitados como, também, muitos espaços de pura badalação, de trocas de louvores, de improvisações, etc. Em meu caso, não improviso poemas na hora de postá-los, nem os faço pensando em publicá-los no blog. Publico-os, aí, simplesmente, como digo na apresentação de Meus Instantes Poéticos, para dividir com as pessoas minhas sensações e motivações estéticas; repassar a outros o sentimento de que a poesia é um dos meios mais expressivos, eficientes, de que dispomos para influenciar o outro, sobretudo na forma mais positiva, que é a da emotividade, da afetividade, da sensação estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para terminar, cite um poeta desta nova geração que é sua leitura freqüente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta nova geração, que se me revelou como uma gratíssima surpresa, cito o Fabrício Carpinejar, um poeta ainda jovem, mas de uma poética contagiante pela riqueza das imagens, pelo apuro formal, pela correção da linguagem. Adoro ler os seus textos, visitar o seu blog, ler ou ouvir suas entrevistas. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para ler alguns poemas de Francisco Dantas, clique aqui &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.palimpnoiapoemas.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;Poemas&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://www.palimpnoia.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Página Inicial&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://www.palimpnoiaforum.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Fórum&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33562531-115689640526868721?l=palimpnoiaentrevistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palimpnoiaentrevistas.blogspot.com/feeds/115689640526868721/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33562531&amp;postID=115689640526868721' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562531/posts/default/115689640526868721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562531/posts/default/115689640526868721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palimpnoiaentrevistas.blogspot.com/2006/08/francisco-dantas.html' title='Francisco Dantas'/><author><name>Euza Noronha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/-sMhlICK8E6M/Ts-lfK8hFbI/AAAAAAAAAXo/_ZykPEgS78A/s220/perfil3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
